A nova minissérie da Netflix, Pssica, está prestes a chegar na plataforma. Baseada no romance homônimo do escritor paraense Edyr Augusto, a narrativa acompanha três personagens cujas vidas convergem em meio a um cenário de violência, drama e misticismo regional. Isso porque eles tentam sobreviver à uma espécie de maldição que acreditam ter sido lançada sobre cada um deles.
“Eu acho que o processo de adaptação do livro é algo muito importante. E por ser uma obra emblemática, muito conhecida na cultura paraense, implica um desafio muito grande. A história é contada em outros tempos, os personagens mudam. E, nesse sentido, acho que a série consegue fazer justiça à literatura”, diz Domithila Cattete.
As gravações ocorreram em Belém, no Pará, e prometem transportar o espectador para uma experiência visual envolvente nos rios da Amazônia Atlântica. A produção, que conta com quatro episódios, foi adaptada para o formato televisivo pelos roteiristas Bráulio Mantovani, Fernando Garrido e Stephanie Degreas. Já a direção fica por conta de Fernando Meirelles e Quico Meirelles. A estreia está marcada para 20 de agosto.
Trama e personagens
Janalice (Domithila Cattete)
Janalice é o ponto de partida da trama: uma jovem raptada por uma quadrilha de tráfico humano. A personagem representa tanto a vulnerabilidade de quem enfrenta uma violação extrema quanto a força da resiliência feminina. A série segue sua luta dolorosa e urgente para escapar de uma situação imposta por criminosos, revelando sua coragem mesmo diante do terror.
Preá (Lucas Galvino)
Preá é líder de uma gangue de criminosos conhecidos como “ratos d’água”, que atuam nos rios da Amazônia. Ele vive um conflito interno profundo: entende os limites impostos pelo seu passado, mas anseia por uma vida diferente.
Mariangel (Marleyda Soto)
Movida pela dor e pela sede de justiça, ela busca vingança pela morte de sua família. Imersa em sua própria dor, carrega a crença de que está sob o efeito de uma maldição que intensifica seu desespero e sua determinação.
O que significa “pssica”?
O termo vem do imaginário popular amazônico e se refere a uma maldição ou assombração que recai sobre alguém ou uma comunidade. A palavra é usada para nomear uma espécie de força negativa ou um tipo de destino trágico que acompanha a pessoa, trazendo tragédia.

Visibilidade para o tráfico humano
Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 2017 e 2022 foram registrados mais de 500 casos de tráfico de pessoas no país, sendo a maioria relacionados à exploração sexual.
“Estamos dando um grande passo, que é dar visibilidade a esse problema. O tráfico humano acontece em todo lugar do mundo. E ter um recorte na Amazônia mostra o que de fato ocorre, mas muitas vezes é silenciado porque é muito desconfortável ver”, comenta Domithila.
A região Norte aparece de forma recorrente nos levantamentos por ser rota estratégica tanto para o aliciamento quanto para o transporte das vítimas. Esse é o motor central da trama, revelando a vulnerabilidade de jovens que deixam suas comunidades em busca de melhores oportunidades, mas acabam presas em redes de exploração.
“O entretenimento é uma forma de dar visibilidade a problemas da sociedade. São temas difíceis. É ruim ver uma pessoa que está sofrendo. Mas, quando a gente olha para isso, entende o que acontece e tem coragem para falar, é um caminho para melhorar.”
Belém em foco
O fato da produção ter sido filmada em Belém dá mais uma camada de beleza aos episódios, já que é possível conhecer de perto a cidade escolhida para sediar a COP30 deste ano.
A fotografia valoriza os cenários urbanos e naturais da capital e também projeta o local para o mundo por meio da cultura e da arte. Além disso, gravar ali reforça um contraponto importante: a cidade que receberá debates sobre sustentabilidade e preservação é também espaço onde se manifestam desigualdades, violências e contradições sociais.
“A cidade se torna um epicentro para a cinematografia. Ela não só fala desses temas tão importantes que a história traz, mas também se mostra como um território onde se podem fazer grandes produções”, afirma Marleyda Soto. “Convido outros cineastas a se animarem para contar outras histórias. Vão à cidade, conheçam os talentos, aproveitem a geografia e a cultura paraense.”
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.